Quem acompanha as minhas viagens sabe que não dispenso os meus propulsores, o Triride ou a Freewheel, porque fazem mesmo toda a diferença.
Cada um tem as suas vantagens e a escolha depende muito do tipo de viagem que vou fazer.
Com a segurança e a estabilidade que proporcionam, podemos andar muito mais descontraídos e aproveitar ao máximo os passeios, sem termos de estar constantemente a olhar para o chão com receio de apanhar algum buraco. Evitamos a trepidação e podemos seguir por caminhos que não estejam em boas condições ou por pisos irregulares sem precisar que alguém nos ajude.
Uma dúvida que surge muitas vezes é se podemos levar um propulsor no avião. A resposta é sim. Quem viaja em cadeira de rodas tem, regra geral, direito a transportar gratuitamente até dois equipamentos de mobilidade, como um propulsor manual ou elétrico, desde que sejam cumpridos os requisitos da companhia aérea, nomeadamente no caso das baterias.
Apesar de já ter o meu Triride há alguns anos, só este ano me aventurei a levá-lo em viagens de avião.
Até aqui tinha optado sempre pela Freewheel. E não era por acaso. Havia várias razões para essa decisão:
- Normalmente faço vários voos na mesma viagem, o que aumenta o risco de acontecer alguma coisa;
- As viagens que faço são normalmente muito longas, cerca de três semanas, e, se acontecer alguma coisa, corro o risco de ficar sem roda auxiliar, o que iria impactar negativamente a viagem;
- Se acontecer alguma coisa e o propulsor avariar, torna-se muito pesado de transportar.
Foi por isso que, até este ano, ainda não tinha levado o Triride em nenhuma viagem de avião.
Claro que também pode acontecer alguma coisa à roda manual, mas uma avaria mecânica é, regra geral, mais fácil de resolver do que uma avaria elétrica. Além disso, se não houver forma de a reparar durante a viagem, a roda manual é muito mais fácil de transportar.

Levar propulsor no avião
Este ano, no entanto, fiz duas viagens curtas, com apenas um voo de ida e outro de volta, e achei que fazia sentido levar o Triride. Confesso que ia um pouco nervosa com o que podia acontecer. Mas correu tudo muito bem, sem qualquer obstáculo ou problema.
Comprei o bilhete como habitualmente, indiquei que estava em cadeira de rodas manual e que ia precisar de apoio para entrar no avião.
Ao chegar ao aeroporto, dirigi-me ao check-in, como faço sempre, e entreguei a documentação da bateria. A partir daí, trataram de todos os procedimentos necessários para o transporte da bateria.
Levem sempre convosco um documento com as características da bateria. No meu caso, levei o que é disponibilizado pela marca.
Depois sigo com a cadeira e o propulsor até à porta do avião, como habitualmente, e só aí me passo para a cadeira de cabine, onde me levam até ao meu lugar. A cadeira segue para o porão, neste caso com o propulsor acoplado. O que levo comigo para dentro do avião é a bateria, a almofada e os laterais.
No caso da Freewheel, essa vai comigo na cabine do avião.
Acaba por ser um processo bastante simples e muito semelhante ao que já fazia antes.
Não se esqueçam de que, mesmo que façam check-in online, é necessário passar pelo balcão para assegurar a assistência. Aconteceu numa destas viagens: uma senhora tinha solicitado assistência para a mãe quando comprou o bilhete, mas não a confirmou no momento do check-in. Quando chegou à porta de embarque, não tinha ninguém à espera nem uma cadeira de rodas disponível.

Levar propulsor noutros meios de transporte
Pensem também no que vão fazer nos destinos, quais os meios de transporte que vão utilizar e se isso pode interferir com a escolha do propulsor.
Táxi
Se forem andar de táxi, o que raramente faço, pensem que o propulsor elétrico vai ocupar muito espaço e pode não caber tudo no carro, principalmente se levarem malas. Vale a pena terem isso em conta quando escolherem o transporte, pois podem ter de recorrer a uma carrinha, que normalmente é mais cara.
Nestas duas viagens em que levei o propulsor elétrico, tive também alguns problemas ao tentar andar em autocarros de rua.
Autocarro
Tanto em Budapeste como em Glasgow, alguns motoristas dos autocarros de rua recusaram levar-me por dizerem que não estão autorizados a transportar baterias.
O curioso é que isso não aconteceu com todos, por isso fui tentar perceber a razão.
Pelo que consegui perceber, as baterias acima dos 100 Wh, regra geral, não podem ser transportadas em autocarros, ao contrário do que acontece nos aviões. No entanto, quando fazem parte de um dispositivo de mobilidade acoplado a uma cadeira de rodas, podem existir exceções.
Talvez seja por isso que alguns motoristas tenham permitido e outros não.
Parece que este ainda é um tema que não está totalmente esclarecido.
Comboio, elétrico e metro
Andei também de comboio, elétrico e metro nestas últimas viagens e em nenhum deles encontrei qualquer impedimento nem tive qualquer complicação.
Conclusão
Não existe uma resposta certa para todas as viagens. A escolha depende sempre do destino, dos transportes que vão utilizar e do nível de autonomia que pretendem ter.
Façam as vossas análises, ponderem os riscos e escolham o que acharem melhor, consoante o tipo de viagem que vão fazer.
Como já referi, viajar com este tipo de acessórios faz toda a diferença. Dão-nos mais segurança, mais conforto e permitem aproveitar muito melhor os dias, principalmente quando fazemos muitos quilómetros.
Aventurem-se e boas viagens.
JustGo!!
