Helsínquia não me desiludiu, mas também não me encantou à primeira vista. É uma daquelas cidades que vai conquistando aos poucos, com pequenos detalhes e momentos inesperados. Talvez por isso tenha ficado na memória de uma forma diferente.

Chegámos num dia de sol lindíssimo. Um daqueles raros dias que parecem tesouros para os finlandeses. A hospedeira do avião confessou que nem ia dormir para aproveitar o sol, o que nos fez sorrir e perceber logo a importância que o clima tem por aqui.

Para começar, mais uma daquelas surpresas desagradáveis: a minha cadeira não estava à minha espera à porta do avião e tive que ir até ao tapete da bagagem com apoio e numa cadeira do aeroporto. Sim, na Finlândia, aqueles locais onde achamos que tudo vai correr bem. Acabou por correr bem, mas sem conforto.

Apanhámos o comboio para o centro (4,40€ cada) e rapidamente estávamos na cidade.

Continuando com as surpresas desagradáveis, o alojamento não era muito acessível. Não tinha cadeira de banho e não a entregaram ao longo da estadia, ao contrário das promessas que faziam sempre que reclamava. Tomei banho todos os dias, claro! O desenrasque vai sempre comigo.

Helsínquia foi a segunda paragem da viagem. Vínhamos de Berlim, onde o Fernando ficou adoentado e, claro, eu segui-lhe os passos. Cheguei à Finlândia já a sentir-me doente e febril.

Saímos para conseguir aproveitar o tão precioso sol com que Helsínquia nos brindou, já tínhamos percebido que seria sol de pouca dura.

Começámos a percorrer as ruas principais até à Praça do Senado (Senaatintori), a principal praça da cidade, rodeada por edifícios de arquitetura neoclássica, sendo o mais emblemático a Catedral de Helsínquia que, infelizmente, estava em obras e não conseguimos visitar.

Seguimos pelo Porto e observámos a Catedral Ortodoxa de Uspensky, considerada a maior Igreja Ortodoxa da Europa Ocidental. Voltámos outro dia para a visitar. Subir até lá não foi muito fácil, fica no cume de um monte. Para entrar estando em cadeira de rodas, há que chamar alguém que venha descer a plataforma. Vale muito a pena pela sua beleza.

O dia seguinte amanheceu cinzento e chuvoso. Algo a que tivemos que nos habituar durante aqueles dias. Ainda assim, não deixámos de explorar.

Fomos aquecer-nos no Mercado Antigo (Vanha Kauppahalli), o mercado municipal mais antigo de Helsínquia, com produtos locais e um ambiente muito acolhedor.

Voltámos à Estação Central (Helsingin päärautatieasema), onde tínhamos chegado, para podermos apreciar com mais tempo e atenção um ícone da arquitetura art nouveau. Surpreendeu tanto por fora como por dentro.

A praça Kansalaistori é um verdadeiro centro cultural moderno. À sua volta concentram-se vários edifícios emblemáticos: a Biblioteca Oodi, o Parlamento da Finlândia (Eduskunta), o Museu de Arte Contemporânea Kiasma, o Finlandia Hall, o centro de congressos desenhado pelo famoso arquiteto Alvar Aalto, e a sala de concertos Musiikkitalo, que dá vida à cena musical da cidade. Uma área vibrante, onde a acessibilidade é ponto assente.

A Biblioteca Oodi é muito mais do que uma biblioteca: é um verdadeiro centro comunitário. Na entrada, mesas com xadrez e várias pessoas concentradas nos jogos. Noutro piso existem salas, áreas para workshops e até espaços de costura. No andar superior, a área de leitura, com linhas modernas e curvas suaves, lembra o interior de um barco. Um espaço pensado para todos, acessível, claro!

Os finlandeses são verdadeiros amantes da leitura. O país tem mais de 300 bibliotecas e cerca de 500 filiais, espalhadas por todo o território. Têm bibliotecas móveis e até um barco-biblioteca que percorre as ilhas. Incrível!

Visitámos também o Museu de Arte Moderna (entrada reduzida para mim: 12€; o Fernando entrou sem pagar como meu assistente).

Sentia-me cada vez mais adoentada e pior. Tive que fazer uma visita à farmácia para comprar paracetamol e assim continuar a viagem.

O sol transforma tudo

Nos dias em que o sol apareceu, Helsínquia ganhou outra vida. As esplanadas encheram-se, as pessoas saíram à rua como se fosse um dia de verão. Bem! Para eles era, mas nós não tirámos os casacos.

Aproveitámos o bom tempo para fazer o passeio de barco até Suomenlinna, a fortaleza marítima espalhada por várias ilhas. Não paguei bilhete e o Fernando entrou como meu assistente. Na ilha, o piso é irregular e, apesar do sol, o vento forte tornou o passeio mais desafiante, principalmente para mim que continuava doente. Mas valeu pela paisagem.

Num dos passeios pela cidade, em que nos afastámos mais, parámos no Café Regatta, outro clássico da cidade, e passámos pelo Monumento a Sibelius, uma escultura em aço inoxidável com mais de 600 tubos.

Fomos ainda visitar a famosa Igreja Temppeliaukio, ou Igreja na Rocha (entrada: 8€). Escavada diretamente na rocha, com uma cúpula de cobre, é um espaço que impressiona pela simplicidade.

Acessibilidade em Helsínquia

Os passeios são largos e nivelados na maior parte da cidade, e os transportes públicos, comboios e elétricos, estão bem preparados para pessoas com mobilidade condicionada, com plataformas elevadas e rampas. Até o porto e o ferry para Tallinn têm elevadores e entradas fáceis. O mais difícil na cidade é a inclinação do terreno, mas quanto a isso não há nada a fazer.

Na ilha de Suomenlinna, o piso em pedra irregular nalgumas zonas é mais difícil, mas existem caminhos alternativos para quem está em cadeira.

Conclusão

Gostei, mas não adorei. Acho que o facto de estar doente e de não termos apanhado sempre bom tempo não ajudou.

Continuámos a nossa viagem e seguimos para Tallinn, na Estónia.

Esta viagem passa pelas cidades de Berlim, Helsínquia, Tallinn, Riga, Cracóvia e Varsóvia. Um percurso cheio de contrastes, mas também de cidades com muita história em comum.

JustGo!!

Ano da viagem: 2025

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