E, vindos da Nova Zelândia, chegámos à Polinésia Francesa! Tahiti e Moorea foram os destinos escolhidos para conhecer este paraíso e descansar da frenética Volta ao Mundo.
O plano inicial era passar apenas uma noite no Tahiti, porque íamos chegar de madrugada e, no dia seguinte, apanharíamos o ferry até Moorea, onde ficaríamos mais dois dias.
No entanto, fizemos mal as contas ao não nos lembrarmos que, com a mudança de fuso horário, ganharíamos um dia. Resultado: acabámos por ficar duas noites no Tahiti
Sim, vivemos o mesmo dia… duas vezes! Foi o que nos aconteceu entre a Nova Zelândia e a Polinésia Francesa. Saímos da Nova Zelândia dia 19 de abril às 19:30h e chegámos ao Tahiti às 02:35h do mesmo dia. Isto é que foi um verdadeiro regresso ao passado!
Isto quer dizer que passámos a Linha Internacional de Data que fica no meridiano 180º, (ou antimeridiano), no lado oposto ao meridiano 0º ou de Greenwich, a linha imaginária que define o começo e final do dia.
Esta foi mais uma curiosidade da nossa volta ao mundo. Viajar tem destas coisas!


Ir à Polinésia Francesa era um sonho que achava que não ia concretizar. Não por ser impossível, mas porque fica literalmente no outro lado do mundo e, além disso, é um destino muito caro.
Quando começámos a planear a volta ao mundo e percebi que estaríamos tão perto, coloquei essa hipótese. Depois percebi que tínhamos que fazer uma paragem, entre a Nova Zelândia e os EUA, para que a viagem de avião não durasse mais do que 7 a 8 horas (não faço mais do que isso). Seria ali ou no Hawai.
Sinceramente, não me importava nada que fosse no Havai, até porque adorei quando lá estive. Mas, mesmo por já lá ter estado, preferi conhecer um novo destino.
E aquele sonho, aquele que às vezes parece tão distante que nem sabemos se algum dia se vai realizar… Já está!


Tahiti
Situada no Pacifico Sul, a Polinésia Francesa é composta por 118 ilhas e atóis, sendo o Tahiti a maior de todas. Papeete é a capital e é aqui que fica o Aeroporto Internacional de Faa’a, a porta de entrada para este destino.
Estávamos a meio da nossa viagem, um pouco cansados e vínhamos do inverno. Por isso, ao chegar ao bom tempo, o que nos apeteceu foi relaxar e ficar a desfrutar de banhos e de sol. Foi o que fizemos!
O hotel no Tahiti não tinha praia, apenas acesso ao mar, por umas escadas, e por isso aproveitei apenas a piscina, onde entrei com a ajuda do Fernando porque não era acessível.
O quarto também não era adaptado, ao contrário do que nos tinham garantido na reserva. Inicialmente, não nos preocupámos muito com isso, porque a ideia era dormir apenas umas horas… mas, como acabámos por ficar duas noites, revelou-se uma má escolha.
A escolha deste hotel deveu-se ao facto de não ficar muito longe do aeroporto, nem do porto onde iríamos apanhar o Ferry para Moorea. Além disso, sabíamos que chegaríamos de madrugada — o que é comum nos voos internacionais que aterram na ilha.
No aeroporto é fácil apanhar um taxi, que é praticamente a única opção àquela hora da noite, a não ser que se tenha solicitado um transfer do hotel. Pelas pesquisas que fiz, o transfer não compensa em termos de preço. Atenção: convém levantar dinheiro antes de sair do aeroporto, pois os táxis não aceitam cartão.


Moorea
Quando pensámos na Polinésia, o primeiro objetivo era ir a Bora Bora. Mas, além de os hotéis serem bastante mais caros, ainda teríamos de apanhar mais um avião — e esse voo também não era nada barato. A viagem iria encarecer muito e, sinceramente, o que ganharíamos com isso não compensava. Não me arrependo nada, porque Moorea é lindíssima!
Pelas pesquisas que fiz antes de ir, Moorea é considerada mais autêntica, oferecendo um contacto mais próximo com a natureza e com a cultura local. Já Bora Bora é mais tranquila, conhecida pelas suas águas cristalinas e, claro, pelos resorts de luxo que a tornaram famosa.
Moorea é conhecida como a “ilha irmã” do Tahiti, já que é a mais próxima. Trata-se de uma ilha vulcânica, de uma beleza natural impressionante, com oito montanhas cobertas de vegetação exuberante, duas baías magníficas e rodeada por recifes de coral.
As paisagens são de tirar o fôlego. O azul-turquesa do mar a contrastar com o verde intenso das montanhas cria um cenário simplesmente deslumbrante. Foi, sem dúvida, dos lugares mais bonitos onde já estive!



Ficar num resort não foi a nossa primeira opção, até porque os preços são altíssimos , mas para garantir um quarto adaptado e conseguir chegar perto da praia, acabou por ser a única alternativa viável que encontrámos. Mesmo assim, a praia não era acessível.
Valeram-me (mais uma vez!) os músculos do F., que teve de me levar ao colo até à água. Sem ele, teria sido impossível.
Nas pesquisas e contactos que fiz antes da viagem, apenas um resort respondeu ter uma cadeira específica para a praia , seja lá isso o que for. Foi o Four Seasons, em Bora Bora. Mas, como disse antes, ir até lá implicava mais custos e mais logística, e acabámos por optar por Moorea.
E ainda bem! Moorea é verdadeiramente paradisíaca. Fazer snorkeling naquela água cristalina, com a temperatura ideal, rodeada de corais e peixes coloridos e incríveis… foi um sonho tornado realidade.
Papeete
No último dia, já de regresso a Papeete e antes de seguirmos para o aeroporto, aproveitámos para dar uma volta pela cidade e absorver um pouco do seu ambiente.
Papeete é uma cidade tropical, com traços franceses e uma energia muito própria. É movimentada, mas ao mesmo tempo descontraída, com aquele ritmo suave típico das ilhas.
Uma paragem obrigatória é o Mercado Municipal: um espaço vibrante, cheio de cor, aromas e artesanato local. Vale mesmo a pena perder alguns minutos (ou mais!) a explorar as bancas e a simpatia das pessoas, mesmo que o ambiente seja claramente voltado para os turistas.
Pelo caminho, passámos também pela Catedral de Notre Dame, um dos símbolos da cidade. É um edifício simples e discreto, com traços coloniais.



Realmente, a Polinésia Francesa é um verdadeiro destino de sonho, daqueles que ficam gravados na memória. Vale mesmo a pena conhecer este pedaço de paraíso.
Gostaria muito de voltar um dia e explorar com mais calma outras ilhas, porque há tanto ainda por descobrir. No entanto, é importante dizer que saltar de ilha em ilha não é, de todo, o programa mais acessível, nem em termos logísticos, nem financeiros, muito menos em termos de acessibilidade física. Mas quem sabe? Talvez um dia…
Alojamento
No Tahiti ficámos hospedados no Te Moana Tahiti Resort que não aconselho, para quem precisa de quarto adaptado.
Em Moorea, ficámos hospedados no Hilton Moorea Lagoon Resort & Spa, que, no geral, se revelou uma boa escolha em termos de acessibilidade. O quarto adaptado estava confortável e bem localizado, o que facilitou bastante a estadia.
No entanto, não existe entrada acessível para a piscina nem para o mar, e a casa de banho de apoio à zona da piscina e da praia também não é acessível. Felizmente, o nosso quarto ficava muito perto dessas áreas, o que ajudou a contornar a situação.
O resort tem um bangalô acessível sobre a água — o famoso overwater bungalow —, mas esse tipo de alojamento não tem qualquer solução para entrada na água para pessoas com mobilidade condicionada. Por isso, não optei por essa opção, até porque o valor elevado não compensava, dadas as limitações. Mas, sinceramente, nem me importei com isso.


Depois destes dias inesquecíveis na Polinésia Francesa, continuámos a nossa Volta ao Mundo. Seguimos então para o último país desta grande aventura: os Estados Unidos da América.
JustGo!!
Mais detalhes da Volta ao Mundo no artigo: Volta ao mundo em 40 dias.
Ano da viagem: 2024
